A doença dos românticos esteve perto de acabar com uma das carreiras mais promissoras do futebol mundial. Thiago Silva sobreviveu ao duelo pessoal com a tuberculose para transformar-se num jogador de elite. No mundo da alta competição, esta foi uma história com final feliz.

Uma promessa por concretizar

Com dezoito anos começou a despontar no Juventude de Caxias do Sul.

Fisicamente impunha a sua presença com facilidade, demonstrava saber ler os lances com antecipação e era tacticamente disciplinado. Pouco mais se podia pedir para um adolescente no futebol regional brasileiro e os olheiros do FC Porto não hesitaram em recomendar a sua contratação. No Verão de 2004 o central chegou à cidade do Porto para fazer parte do projeto de futuro do novo campeão europeu. Ficou apenas um ano na cidade Invicta. Os dirigentes do clube não entendiam porque é que um jogador com tão boas referências se tinha transformado numa desilusão tão grande. Integrado na equipa B – orientada por Domingos Paciência – o brasileiro não impressionava. Fisicamente mostrava-se incapaz de seguir o ritmo dos colegas. O gabinete médico não detectava nenhum problema particular. Mas Thiago Silva queixava-se. Queixava-se muito. Sentia o peso do corpo, a dificuldade em reagir e uma tosse constante. Ninguém lhe fez caso. Em Agosto foi vendido ao Dynamo de Moscovo, o clube da capital russa que já tinha sido responsável pelos negócios de Costinha, Derlei e Maniche, outros três elementos da equipa campeão europeia do FC Porto. Aí soube o que realmente lhe passava.

O duelo com a tuberculose

Thiago Silva tinha tuberculose.

Surpreende que o gabinete médico do clube português não tenha sido capaz de detectar os sintomas. Talvez porque a doença mais mortal do século XIX se tenha transformado quase numa utopia médica na Europa ocidental.

Durante a segunda metade do século XX a utilização de antibióticos e a prevenção médica praticamente erradicou a doença do continente. Mas no resto do Mundo a tuberculose continua bastante ativa. Tanto no Brasil como na Rússia. Os médicos do Dynamo de Moscovo, habituados a lidar com a doença, não só a detectaram a tempo como estabeleceram um plano de recuperação. O brasileiro ficaria durante largos meses fora dos relvados à medida que combatia uma doença que podia ser mortal. Não seria o primeiro futebolista a sofrer na pele as consequências da infeção pulmonar. Até aos anos cinquenta vários jogadores foram forçados a retirar-se dos relvados por padecer tuberculose e outros problemas respiratórios.

Durante dois meses esteve isolado num quarto de um frio hospital de Moscovo para evitar problemas de contágio. Meio ano depois estava de novo na rua, curado, mas a sua carreira desportiva continuava em risco. O clube russo que o tinha salvo não parecia demasiado interessado nos seus serviços e contra todos os prognósticos apareceu o Fluminense para recuperar uma carreira perdida.

No Rio de Janeiro, Thiago Silva começou a demonstrar todo o seu potencial, aquele que os olheiros azuis-e-brancos tinham antecipado quase três anos antes. De menino do Rio, Silva viajou para Milão onde se transformou no herdeiro espiritual de Franco Baresi. Uma ascensão tão impressionante que a família Al-Khalifi, os novos donos do Paris Saint-Germain, não hesitou em fazer dele um dos defesas mais caros da história do futebol.

O aparecimento de novos casos

O caso de Thiago Silva não é único no mundo do futebol, mas é sem dúvida o mais espetacular. Em países como o Brasil a tuberculose ainda é um problema médico importante e vários atletas de elite passaram em algum momento da sua vida pela luta contra o seu próprio organismo.

O médio canarinho França, a jogar atualmente no Hannover 96, foi diagnosticado com a mesma infecção pelos médicos do clube alemão no principio do ano. O jogador tinha sido contratado ao Curitiba no mercado de inverno e inicialmente tudo parecia estar bem. Com as provas médicas superadas, França começou a treinar com os restantes colegas e evidenciou os mesmos sintomas de Thiago Silva. Cansaço, problemas musculares e tosse. O departamento médico do Hannover detectou rapidamente os sintomas e atualmente o futebolista ainda está em tratamento médico. Só regressará aos relvados na próxima temporada.

Os dois casos têm levantado algum alarme nos clubes especializados sobretudo no mercado sul-americano. Os exames médicos são cada vez mais exigentes e o reaparecimento da doença nos países sub-desenvolvidos tem sido preocupante. Em 2010 o internacional sul-africano de trinta anos, Emmanuel Ngobese, tornou-se na mais recente vitima da tuberculose no mundo do futebol. O exemplo de Thiago Silva permanece vivo para reforçar a certeza de que nem sempre a tuberculose ganha.

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  • Juuh

    GUERREIRO! MERECE TUDO O QUE VEM CONQUISTANDO E AINDA CONQUISTARA EM SUA CARREIRA, ADMIRO MUITO VOCÊ THIAGUINHO ♥

  • janaely alves farias

    parabens hoje vc e um guerreiro pelo o que vc passo na vida…e que vc seja muito feliz.. e adoro ver vc jogando. sou sua fa t adoroooooooooooo muito felicidade