Sensible Soccers, os sons do futebol

Uma banda com nome de videojogo de futebol. A conexão é inevitável e a sonoridade do conjunto não engana. Palavras de músicos inspirados pela magia do futebol para nos por a dançar.

 A sonoridade da bola

Dividem-se entre São João da Madeira e Vila de Conde. São quatro. E são uma banda de música que utiliza o futebol não só como inspiração mas também como elemento referencial na iconografia e sonoridade do seu trabalho. Mesclaram um relato de Gabriel Alves com um dos seus singles, Fernanda.  Apostaram numa iconografia inspirada no universo desportivo da década de 70 e o nome não engana. Antes dos Sensible Soccers chegaram Filipe, Né, Emanuel e Hugo, os músicos apaixonados pelo mítico videojogo Sensible World Soccer, da consola Amiga.

Com um nome inspirado num dos mais míticos videojogos da história, queremos saber há quanto tempo nenhum de vocês joga realmente ao Sensible Soccer?

O Emanuel continua a jogar Sensible Soccer com muita regularidade. Já se serviu do jogo para elevar equipas como o Wolverhampton Wanderers, Oldham Athletic ou Notts County à condição de maior potência futebolística mundial. Sempre com o Steve Bull como jogador-fétiche. E claro, a nossa ligação aos videojogos de temática futebolística não se fica por aqui. Continuamos a acompanhar a evolução desse género de jogos.

Que histórias há por detrás dos componentes da banda a esse mítico videojogo?

Trata-se de um jogo surgido na nossa infância, pelo que é inevitável que tenha para nós essa carga emocional ligada às memórias infantis. As memórias com o jogo confundem-se com as memórias que temos do futebol dessa altura. Gostamos de História em todas as suas vertentes, e isto representa também o nosso gosto pela História do Futebol.

Misturar música e futebol foi uma ideia que surgiu quando?

É importante ressalvar antes de mais que o nome surgiu quando ainda só existia a ideia de formar uma banda. O Hugo e o Emanuel tinham essa intenção há muito tempo, e o nome surgiu talvez uns dois anos antes de efetivamente se começar a fazer música (as primeiras demos surgiram em 2010). Claro que essa ligação continua a ser alimentada por nós, na medida em que escolhemos temáticas futebolísticas para os nomes de alguns dos nossos temas, e também porque muito do nosso imaginário e comunicação visual como banda é composto de referências futebolísticas.

Quando vêm um dos muitos videoclips que se realizam durante os grandes torneios, os temas que ilustram os videojogos actuais, sentem que de certa forma a música é a única arte que expressa completamente essa sensação fisica única de tensão absoluta que transmite um jogo de futebol de alto nível?

Não será apenas no futebol que esse fenómeno ocorre, mas sim, sem dúvida que a música é um tipo de manifestação artística que se presta sempre a ser utilizada como veículo de sensações. Isto é válido para clips desportivos ou videojogos, mas também para um número infindável de outros exemplos. Não será por acaso que muitas vezes surge a complementar outras manifestações artísticas.

Como se lhes ocorre mesclar uma das vossas músicas com um relato do mítico Gabriel Alves?

Antes de mais, essa decisão foi tomada pelo artista responsável pela remistura, o nosso caríssimo João de Almeida, AKA Elite Athlete. Foi uma surpresa muito agradável ver a nossa música reinventada dessa forma, porque o Gabriel Alves é também parte desse nosso imaginário futebolístico, e sem sombra de dúvidas uma referência na História do Futebol em Portugal.

Qual é o futuro deste projeto na cena musical portuguesa?

Não temos como adivinhar o futuro, mas sabemos o que queremos fazer a curto/médio prazo. Temos trabalho de composição e gravação pela frente para vários trabalhos que queremos editar, mas ainda sem datas que possamos avançar. Queremos desenvolver alguns trabalhos em colaboração com outros artistas de diferentes áreas, não apenas da música, e já temos alguns projetos concretos a decorrer nesse sentido. Também vamos a continuar a dar concertos um pouco por todo o país, e quem sabe, conquistar mais umas quantas internacionalizações. A nossa grande prioridade vai continuar a ser fazer música que nos dê prazer tocar e ouvir.

Qual o jogador e o momento futebolistico que inspiraria uma canção para cada um dos elementos da banda?

18 de Maio de 2001, minuto 61 do Boavista – Desportivo das Aves, golo de Whellinton (Emanuel). Todos os golos de Falcao. Nostalgias para quê (Filipe). A última subida de divisão do Rio Ave em Santa Maria da Feira (Hugo). Para quê entrar em polemicas Porto vs Benfica, escolheria o momento em que Gary Liniker fez cocó em campo…(Né)

Rod Stewart disse uma vez que se tornou estrela rock porque não podia ser estrela da bola. Entre os membros da banda há algum futebolista frustrado?

Apenas o Emanuel não foi jogador de futebol nas camadas jovens. O Filipe defendeu as redes da Associação Desportiva Sanjoanense, e tanto o Hugo como o Né fizeram a sua formação futebolística no Rio Ave FC. O Emanuel podia ter sido profissional pois dava um delicioso “carregador de piano”.

 Foto: Regina Daurer

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