A bebida energética mais popular do mundo está decidida a estender a sua influência ao mundo do futebol. Nos últimos seis anos a empresa austríaca comprou licenças para cinco clubes em distintos continentes. O objectivo da empresa é tornar a marcar Red Bull num nome familiar no mundo do futebol e num prazo de dez anos disputar as mais importantes competições continentais.

O sonho da Bundesliga

Em Leipzig os adeptos dos três clubes locais protestaram durante anos contra as intenções da empresa dirigida por Dietrich Mateschitz. No final a Red Bull conseguiu finalmente adquirir a licença do modesto  SSV Markranstädt. Em falência técnica, o clube foi adquirido e renomeado RB Leipzig e inscrito na última divisão do futebol germânico, a NOFV-Oberliga Sud. A legislação alemã impede que um clube tenha no nome uma empresa ou que seja detido maioritariamente por um investidor externo pelo que, neste caso, particular a Red Bull é apenas detentora de 49% do clube. Mas o investimento da empresa não termina aqui. Como sucedeu com os seus outros projetos futebolísticos, a aposta é de futuro, não de presente.

A marca energética acredita que o RB Leipzig tem o potencial de crescimento necessário para cumprir com o objectivo de disputar as grandes provas continentais até ao final da década. O objectivo é superar as sucessivas divisões que o separam da Bundesliga e nos próximos oito anos estar a disputar o titulo de campeão alemão. Para tal foi construído um novo estádio, de 45 mil lugares, na antiga cidade da Alemanha Oriental e um centro de estágio de topo para preparar as gerações de futuro. No entanto, de momento, a progressão é lenta. Depois de vencer o titulo da Oberliga Sud na sua primeira época, o clube falhou pela terceira época consecutiva o apuramento para a 3. Liga, a terceira divisão alemã e última dedicada ao futebol amador.

Da Europa para o Mundo

O episódio de Leipzig é apenas o mais recente na dinastia Red Bull no mundo do futebol. O primeiro passo da empresa foi dado em 2005 quando a Red Bull adquiriu o SV Austria Salzburg, um dos mais icónicos conjuntos da história do futebol austríaco. A empresa não só adquiriu o clube como mudou por completo a sua estrutura, alterando o logotipo, as cores e a politica desportiva. Para a empresa foi um começar do zero, para os adeptos uma dolorosa transição que levou a um grupo de dissidentes a refundar o histórico clube nas divisões amadoras. O investimento da empresa no clube foi imediato. O técnico italiano Giovanni Trapatonni foi contratado para levar o RB Salzburg ao titulo austríaco e daí à Champions League e cumpriu o primeiro objectivo, sagrando-se campeão a cinco jogos do fim. Um titulo que foi desde então ganho por mais três vezes. Mas a Champions League continua a ser um sonho pendente.

Da Áustria as asas do império Red Bull espalharam-se ao continente americano. Nos Estados Unidos a empresa adquiriu a franchise MetroStars de New Jersey e operou a mesma politica de readaptação ao ideário da empresa. O clube mudou por completo e passou a ser um dos investidores mais ativos da Major League Soccer atraindo jogadores como Thierry Henry para as suas filas. No entanto o projeto ainda não conseguiu nenhum triunfo desde a sua refundação, em 2006, ao contrário de outras franchises de sucesso no país. Mais a sul, no Brasil, a empresa optou por outra estratégia fundando de raiz um clube em Campinas, nos subúrbios de São Paulo, que baptizou como Red Bull Brasil. A instituição disputa a segunda divisão do campeonato regional paulista depois de ter vencido de forma consecutiva os títulos da terceira e quarta divisão estadual. O maior êxito do clube foi ter chegado à final da Copa Paulista em 2010.

Por último há ainda o caso do Red Bull Ghana, fundado em 2008 em Sogakope como Academia de formação de jovens talentos. O objectivo da empresa é utilizar os clubes formados no Brasil e Gana como centros de formação para exportar jogadores diretamente para os emblemas europeus. Uma politica criticada por várias autoridades desportivas e que se assemelha à politica já seguida pela empresa no automobilismo com as escuderias Red Bull e Toro Rosso. Depois de tornar-se sponsor de várias atividades radicais, o próximo objectivo da marca passa por ser uma das marcas mais facilmente associadas ao mundo do futebol. A julgar pelos resultados imediatos parece claro que o império futebolístico da Red Bull ainda está longe de ser uma realidade.

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