Ramón Unzaga Asla, o Inventor do Pontapé de Bicicleta

A maioria dos analistas atribuem a invenção do pontapé de bicicleta ao genial avançado brasileiro Leónidas. Mas não foi o “Diamante Negro” o primeiro a rasgar o ar com esse movimento acrobático. O homem que inventou o pontapé de bicicleta jogou anos antes no Chile e o mundo praticamente esqueceu o seu nome. Mas nunca o seu movimento de corpo.

Ramón Unzaga Asla é o nome do verdadeiro inventor de um dos movimentos mais apreciados pelos adeptos de futebol em todo o mundo. Ao contrário do genial brasileiro, Unzaga não passou para a história muito por culpa de sempre se ter recusado a sair do clube onde actuou ao largo da sua carreira, o modesto Club Atlético no Chile, onde vivia desde os 12 anos. Unzaga nascera em Bilbao em 1894, mas aos 12 anos foi forçado a seguir a família que emigrara do País Basco para o país sul-americano. Aí Unzaga começou a praticar regularmente o jogo que acabara de se tornar num fenómeno de popularidade e na universidade deu de tal forma nas vistas que se tornou na estrela do clube local de Talcahuano. Trocou a cidadania espanhola pela chilena e começou igualmente a disputar encontros pelo seu país de acolhida. Mas, reza a lenda, foi no estádio da pequena cidade onde vivia que imortalizou definitivamente o seu nome ao ensaiar pela primeira vez um pontapé acrobático no ar. Num jogo disputado em 1914 no El Morro o jogador executou o golpe e deixou estupefacta a bancada. Semana após semana repetia o movimento que foi rapidamente baptizado como “la chorera” em nome da Escuela Chorera que se dava à formação local, a grande base da seleção chilena da época.

A “Chilena” ou o Pontapé de Bicicleta

Em 1920 o jogador apresentou ao mundo o movimento na Copa America disputada no Chile num desafio contra a Argentina. Maravilhados, os jornalistas argentinos rebaptizaram o golpe como “la chilena”, expressão que é a que, ainda hoje, se utiliza em Espanha e na América do Sul, incluindo o sul do Brasil, como homenagem inconsciente ao talento de Unzaga.

O jogador recebeu vários convites de clubes argentinos e uruguaios, pasmados com o seu talento individual, mas este nunca saiu do seu país de adopção. Com o passar do tempo muitos se esqueceram do seu verdadeiro inventor e por todos os lados apareciam jogadores que reclamavam para si o invento. Numa era onde o boca a boca era a única base fidedigna para muitos adeptos. a confusão instalou-se.

Sete anos depois da Copa América onde brilhou com a camisola do Chile, um compatriota, David Arellano, aproveitou uma digressão do Colo Colo pela Europa para apresentar o movimento aos europeus. No Velho Continente ninguém tinha ouvido falar de Ramón Unzaga mas a “chilena” popularizou-se. Mas foi realmente em 1938, naquele inesquecível mundial de França, que o pontapé de bicicleta se tornou mundialmente famoso, graças ao gesto técnico de Leónidas. A carreira do brasileiro ficou congelada pelo irromper da II Guerra Mundial, mas desde então o gesto técnico tem-lhe sido atribuído. A verdade é que o verdadeiro inventor do movimento por essa altura já tinha deixado os relvados caindo no esquecimento. O homem que globalizou o gesto ficou com o reconhecimento. Quanto a Unzaga, nem na sua cidade natal há sequer uma lembrança perdida que evoque o primeiro momento em que um futebolista decidiu desafiar a gravidade para rasgar o céu e tornar o jogo um pouco mais belo.

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