Em 2002 o manager de uma equipa de baseball revolucionou o mundo do desporto ao utilizar a análise estatística como base para a contratação de jogadores. Esse manager prescindiu das habituais avaliações dos seus scouts (observadores) e desafiou décadas de conhecimento sobre o jogo, em favor de milhares de números que reproduziam as ações de cada jogador durante uma temporada ou carreira.

O que é o Moneyball?

A partir de 2003 o método foi apelidado de “Moneyball”, graças ao excelente livro de Michael Lewis “Moneyball: The Art of Winning na Unfair Game” que relatou toda a época dos Oakland Athletics e do seu corajoso manager Billy Bean. Nesse ano, os A´s de Oakland habituados a classificações no fim da tabela e com um dos orçamentos mais baixos da liga, tiveram finalmente a hipótese de ser campeões.

Mas em que consiste concretamente o Moneyball? O sistema utilizado por Billy Bean, consiste na análise das estatísticas de performance dos jogadores, por forma a tomar as melhores decisões no mercado de transferências. De uma forma mais simples, conseguir contratar o jogador com a melhor performance desportiva, dentro do montante estipulado para investimento.

Aplicação no Futebol

Terá o Moneyball aplicação no futebol? Qualquer adepto acredita que o clube do seu coração equaciona sempre a hipótese de comprar o melhor jogador pelo menor preço possível, mas será que é mesmo assim? Quantos exemplos existem no seu clube, de investimentos em jogadores não tiveram a performance desportiva espectável?

Tal como no baseball, durante décadas os Scouts de jogadores influenciaram as ações dos clubes no mercado, com base na análise subjetiva do desempenho dos atletas. Mais concretamente, os Scouts observavam dezenas ou centenas de jogadores e recomendavam os que consideravam ter qualidade para serem contratados. Hoje, esse método é um risco que os clubes já não podem correr. A aquisição de um jogador implica um avultado investimento, que não pode ser desperdiçado através de uma opinião, por muita reputação que tenha. Existe portanto a necessidade de análises objectivas em relação à performance do atleta. A opinião já não chega, são necessárias estatísticas!

Exemplos do Moneyball no Futebol

Atualmente a maior parte dos grandes clubes Europeus utiliza a análise de performance de jogadores com base em estatísticas para tomar decisões nas suas contratações. Todos estes clubes têm gabinetes de analistas estatísticos a tempo inteiro, munidos de sistemas e ferramentas que permitem analisar todas as ações dos jogadores e transforma-las em números.

Um dos primeiros treinadores a utilizar o método moneyball foi sem dúvida Arséne Wenger. Desde a sua entrada no Arsenal, são dezenas os jogadores adquiridos a preços tremendamente reduzidos, que revelaram performances acima da média. O sucesso do Arsenal está de mãos dadas com o nascimento de empresas estatística avançada dedicadas exclusivamente ao futebol. Mais recentemente, é notório o esforço dos dirigentes do Liverpool em adoptar o mesmo sistema de forma permanente, após algumas contratações que não traduziram em campo os valor do seu investimento. Será interessante continuar a seguir estes e outros exemplos. O sucesso deste método não é imediato nem garantido, mas é sem dúvida o ideal quando o objectivo de um clube moderno é conciliar o sucesso desportivo com o financeiro.

4.893 / Por
  • ayres de sá

    Caros,
    Muito interessante o texto e os exemplos utilizados, porém, eu assisti e assisto muito o filme, porém, acho que ele vai além do uso das estatísticas;
    Na minha opinião ele abrange o universo da gestão. O gerente geral do Oakland tem que lidar com o status quo do esporte e do time, forma de contratação, técnico que tenta impor a sua opinião contra os números, concorrência com times mais ricos, e, por isso é necessário pensar e agir de forma diferente.
    A gestão inclui o uso de novas metodologias, novas abordagens e como manter o equilíbrio, tornar o jogador e um expert na sua posição usando a estatística como meio de melhorar o seu desempenho e suas jogadas.
    O futebol também precisa desse tipo de revolução, senão continuaremos a ter, como no filme, os ricos e os doadores de órgãos.