League Cup de 1977, a final mais longa da história

330 minutos de futebol. Foi essa a duração da mais longa final disputada na história do futebol. Três jogos e dois prolongamentos depois a Taça da Liga inglesa foi entregue. Na época áurea do futebol britânico, o duelo entre Aston Villa e Everton ficou para a posteridade.

A celebridade de uma final inconsequente

O apito final do árbitro Gordon Kew colocou um ponto final na agonia.

O relógio do árbitro de Leeds apontava para as 21h53. Em Old Trafford tinha-se acabado de fazer história. Depois de cento e vinte minutos extra, o vencedor da League Cup de 1977 podia finalmente ser proclamado. A odisseia tinha chegado ao fim. Os candidatos tinham subido ao relvado mítico de Wembley ás 15h00 da tarde de 12 de Março. Um mês e mais de trezentos minutos depois a luta chegava ao fim. O título estava entregue. E a paciência dos adeptos de ambas equipas finalmente levados ao limite, efetivamente testada. Tinham sobrevivido á mais longa final de sempre de uma prova profissional.

A aventura tinha começado com um primeiro duelo entre Aston Villa e Everton. Ambas equipas estavam longe de pertencer á elite do futebol britânico nessa temporada. Terminariam a liga bastante longe do campeão em título, o Liverpool. Os “Villains” tinham terminado a época no quarto posto. Os “Toffees” foram nonos. Entre eles separavam-lhes nove pontos na tabela classificativa em Maio. Durante o mês de Março as suas prioridades transformaram-se por completo. Ambos clubes tinham chegado com sofrimento á final. O clube de Birmingham tinha eliminado três clubes da First Division (Queens Park Rangers, Manchester City e Norwich enquanto que os azuis de Liverpool, a viverem á sombra dos seus vizinhos encarnados tinham ficado com o consolo de eliminar o Manchester United na ronda prévia. Em campo não estava nenhuma das grandes estrelas inglesas que dominava a imaginação dos adeptos europeus á época. Mas o que parecia ser mais uma final de circunstância transformou-se num evento único.

A consequência da ausência de grandes penalidades

O Aston Villa de Ron Saunders – treinador que levaria o clube ao título de liga em 1981 e abriria caminho para a conquista europeia da época seguinte – era uma equipa ambiciosa mas de meios modestos. Tinha vencido a competição duas vezes, a últimas das quais duas épocas antes, e contava na linha de ataque com o promissor Andy Gray. O Everton, por sua vez orientado por Gordon Lee, dependia sobretudo dos destelhos de génio de Duncan McKenzie.

O primeiro jogo, como era antecipado já á época, acabou de uma forma sensaborona com um empate a zero em Wembley. Mais de cem mil pessoas, entre os quais dezenas de milhares de fãs itinerantes em cortejos desde as Midlands e Mersey, abarrotaram o estádio da alma nacional inglesa para depararem-se com um resultado e uma exibição decepcionante de ambas as equipas. Seguindo as regras da competição não se disputou prolongamento e foi agendado para quatro dias depois, em Sheffield, um replay. Foi preciso esperar até ao prolongamento para presenciar o primeiro golo da contenda, um disparo de Latchford que colocou o Everton em vantagem. Durou pouco a alegria. Um auto-golo inesperado de Kenyon manteve o Aston Villa na disputa. Sem grandes penalidades – só eram colocadas em prática ao final do terceiro jogo – mais um duelo era inevitável.

A angústia do segundo replay

Tudo foi decidido no terceiro jogo, mais de um mês depois do inicio da aventura. Um terceiro estádio, o Old Trafford, recebeu a terceira enchente consecutiva de devotos adeptos que, por uma vez, tiveram um espetáculo á altura do esperado. Latchford voltou a marcar para o Everton mas Nicol, responsável pelo golo dos rivais na primeira parte, empatou nos instantes finais do tempo regulamentar.  O prolongamento apresentava-se outra vez como inevitável. Mas ainda havia tempo para mais. Brian Little, apagado no primeiro tempo, apareceu ao minuto 90 para colocar o Villa em vantagem. Parecia seguramente o golo do título quando no último minuto do tempo adicional foi a vez de um cabeceamento de Lyons voltar a empatar tudo.

Com três golos em quatro minutos mais um tempo extra parecia castigo demasiado pesado. Aí pesou, finalmente, o acumular dos golpes trocados em mais de 300 minutos de futebol. Um disparo de Little foi o que separou as duas equipas. O Aston Villa ganharia o troféu e, sobretudo, a final mais longa alguma vez disputada. O triunfo na terceira competição do calendário inglês nunca soube tão bem!

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