Johan Vonlanthen, o homem que perdeu a fé

Era a grande esperança do futebol suíço para voltar às primeiras páginas da atualidade futebolística.  Mas aos 26 anos disse basta e abandonou o jogo que o tornou uma estrela. Tudo pela sua devoção religiosa. Do adolescente que cresceu a adorar uma bola ao homem que perdeu a fé no jogo, a história de Johan Vonlanthen é um dos casos mais singulares do planeta futebol.

O mais jovem estreante de sempre

“Quando comecei a entender o que significava o Sábado, o dia do Senhor”, disse Vonlanthen, “comecei a entender que esse era um dia de repouso, um dia de bendição. Eu não podia ignorar a chamada do Senhor e ir nesse dia jogar”. E assim, quase de um momento para o outro, aos 26 anos, a maior promessa do futebol suíço da década passada, colocou um ponto final na sua carreira.

Oito anos antes tinha despontado como uma das maiores promissoras revelações do futebol europeu quando marcou um belo golo à França de Zidane na fase de Grupos do Europeu de 2004. Um golo que o atirou para a ribalta do futebol e que devolveu aos suíços a esperança perdida, depois de um hiato de uma década desde a geração mítica de Stephan Chapuisat, Alain Sutter e Kubilay Turkylmaz.

Curiosamente, a esperança vinha de um adolescente que nem sequer tinha nascido ou tinha qualquer laço com o país helvético. Johan tinha nascido do outro lado do Atlântico, na Colômbia. Aí cresceu e começou a dar os pontapés numa bola de futebol que não largava, dia e noite. Aos 12 anos, quando já estava referenciado localmente, os pais separaram-se e a mãe decidiu mudar-se para a Suiça, levando o pequeno Johan com ela. Aí conheceu um suíço  casou-se e este deu o seu nome ao adolescente, que passou a adquirir a dupla-nacionalidade. A tempo de começar a entrar no radar dos clubes locais o que o levou a ser o mais jovem estreante de sempre da primeira divisão suiça, aos 16 anos, com a camisola do Young Boys. Dois anos depois foi contratado pelo PSV Eindhoven e realizou uma época memorável que o levou à seleção e ao Europeu de Portugal. O golo, inútil para as aspirações helvéticas, transformou-o numa estrela mas na Holanda nunca mais voltou a sentir-se protagonista. Durante três anos foi cedido pelo PSV, primeiro ao Brescia e depois ao NAC Breda e ao Red Bull Salzburg, mas a qualidade que todos tinham visto nele tinha-se perdido pelo caminho.

A inflexibilidade dos sábados

Talvez não fosse só a qualidade. Na Holanda Vonlanthen começou a ler a Bíblia, influenciado por um colega de equipa, mas foi já na Áustria, que se tornou oficialmente um adventista. Uma operação depois de uma grave lesão no joelho levou-o a ponderar abandonar o jogo e foi na religião que encontrou o bálsamo que o relvado já parecia ser incapaz de lhe oferecer. Mas essa nova paixão vinha com um pesado preço a pagar.

A corrente adventista proibia-o de jogar aos sábados, o dia do descanso, e quando o ainda jovem jogador o fez saber ao clube, abriu uma caixa de Pandora que o levou primeiro a ser suspenso, multado e mais tarde emprestado ao Zurich, na Suiça. Aí manteve-se fiel à sua nova crença e recusou-se jogar nos dias de descanso sagrado, e encontrou certa compreensão dentro da equipa. Era talvez demasiado tarde.

Vonlanthen tinha entendido que a mesma paixão que lhe oferecera o futebol na difícil adolescência tinha passado definitivamente para a religião e decidiu colocar um ponto final à sua carreira. Com 24 anos, casado com outra colombiana adventista e recém estreada a paternidade, abandonou o futebol europeu e voltou às origens, à sua Colombia natal, onde assinou primeiro pelo Itagui e depois pelo Santa Fé. Realizou alguns jogos, sempre aos domingos ou sábados pela noite, mas ambos os clubes mostraram-se reticentes a contar com um jogador que provoca tantas limitações. Por isso mesmo, com os 26 anos cumpridos, Johan disse basta e abandonou o futebol.

Regressar com condições

Desde então o seu exemplo tem sido defendido como bandeira tanto por correntes religiosas, como um triunfo sobre o hedonismo capitalista, como um alerta por parte daqueles que consideram que o futebol está a ostracizar cada vez mais pessoas com crenças distanciadas das necessidades comerciais, lembrando também o caso de muitos futebolistas muçulmanos durante o período do Ramadão.

Vonlanthen deixou claro que jogar futebol continuava a ser importante na sua vida, mas não o suficiente para desafiar as suas crenças religiosas. Atualmente vive na Colômbia, onde é uma das figuras nacionais mais influentes da corrente adventista, e apesar de ter expressado publicamente que gostaria de voltar a jogar, só está preparado para o fazer em condições muito especiais. Longe vão os dias em que os grandes da Europa tinham o seu nome na sua agenda. A religião ganhou o pulso e o menino prodígio do futebol suíço perdeu a fé no futebol para reencontrar-se em paz consigo mesmo com uma Biblia entre os braços.

4.159 / Por
  • Tadeu Montenegro

    Ele está muito certo!

    • Leandro melo

      Sem dúvida excelente escolha, esta de parabéns.

  • manuel jovino

    vc fez a escolha certa tudo por jesus as coisas nessa vida e passageira dinheiro fama,riquezas. mas com jesus vc terá a vida eterna pra sempre,a maior riqueza vc ja tem é cristo em sua vida apenas seja fiel a ele e dará a coroa da vida somente os mansos herdarão a terra mateus,5.5.

  • Mariza

    Lindo!!