Após a queda do muro de Berlim, foram vários os países do antigo bloco de leste que através de revoluções populares depuseram os seus governantes. Passados alguns anos da morte de Ceausescu na Roménia, começaram a ser desclassificados os arquivos da Securitate, a policia politica do regime. Para executar a tarefa foi constituído o “Conselho Nacional para o Estudo dos Arquivos da Securitate” (CNSAS), que tem vindo a revelar e a relacionar algumas pessoas do mundo do futebol, como informadores do anterior regime. Alguns dos nomes que surgiram da investigação, foram os dos ex-jogadores Gheorge Popescu e Laszlo Boloni (ex-treinador do Sporting).

Os arquivos indicam que durante o período de 1986 a 1989, em que foi jogador do Universidade de Craiova, Gheorge Popescu na altura com 19 anos, foi colaborador dos serviços secretos romenos, com a função de “defender e proteger os membros da equipa da Universidade de Craiova”, elaborando relatórios acerca dos seus técnicos e colegas de equipa, na intenção de detectar comportamentos dissidentes e intenções de deserção ao regime comunista vigente na época.

Nome de código: “Coronel Petrescu”

Os arquivos revelaram também qual a opinião da Securitate acerca de Popescu, “…através do seu comportamento e modo de atuação, Popescu é uma garantia de colaboração com as autoridades de segurança”. A sua residência terá também sido um local de encontro para oficiais da Securitate e o seu nome código era “Coronel Petrescu”. A missão prioritária de Popescu era fornecer informações sobre os jogos realizados no estrangeiro, tendo realizado um total de 9 relatórios. Esta prática de recrutamento era usual nos países do antigo bloco de leste. Gheorge Popescu já admitiu ter sido informador da Securitate, desculpando-se dizendo que apenas elaborou 4 relatórios e todos positivos em relação aos seus companheiros de equipa. Durante o regime de Ceausescu, mais de 700 mil pessoas (cerca de 4% da população Romena) foram recrutadas como informadores. Segundo Popescu, com a sua idade e naquela época, recusar colaborar com a policia política era igual a ser considerado um espião e traidor, pelo que não lhe restavam muitas opções.

Outros casos de Jogadores vs Securitate

O caso de Gica Popescu com a Securitate não é único, no entanto nem sempre o envolvimento da polícia política Romena com jogadores de futebol dos anos 80 foi feita de forma pacífica. Em 1981 Stefan Iovan transfere-se do Resita para o Steaua de Bucareste, depois de ter sido chantageado devido a um caso extra conjugal que tinha tido dois anos antes, onde supostamente abandonara a amante grávida.

Em Galati era comum a policia local mandar prender o pai de Tudorel Stoica o capitão do Steaua, devido a excesso de álcool. Em 1983 Victor Piturca assina pelo Olt Scornicesti, depois da sua mulher ter aceite um trabalho na Universidade de Bucareste e depois de Piturca ter sido autorizado a comprar um Land Rover. Mais complicada foi a transferência de Lacatus do Brasov para o Steaua, com o presidente do Brasov a sofrer diversas ameaças por não aceitar a mudança, que acabou por acontecer envolvendo resultados arranjados entre os dois clubes.

E finalmente o caso do defesa central Adrian Bumbescu, que o Steaua queria contratar ao Olt Scornicesti. Cada vez que os responsáveis do Steaua se deslocavam a Scornicesti para falar com o jogador, a polícia de Scornicesti liderada por um delfim de Ceausescu, garantia que o jogador ia visitar a família em Craiova.

Durantes os anos 80 o Steaua de Bucareste conseguiu vencer cinco títulos consecutivos, bem como um recorde de 104 jogos sem perder. Curioso não?

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  • Tiago Cardoso

    Antes de mais, dou os parabéns quem está atrás deste MAGNÍFICO projecto por estar tão bem feito, um obrigado por me ter entretido (e não só a mim!) e que continue assim! ;-D
    Se faz favor, ainda acerca de futebolistas de 11 que colaboravam com polícia políticas, agradecia saber, se faz favor, se houve futebolistas de 11 em Portugal que colaboraram com a PIDE e, caso haja boa matéria para um artigo de desse género aqui na FUTEBOL MAGAZINE, que a colaboração de futebolistas de 11 com a temível polícia política do Estado Novo Português seja dada a conhecer aos leitores deste agradável espaço desportiva na Internet (assim de cabeça, o António Roquete, antigo guarda-redes de futebol de 11 do Casa Pia Atlético Clube, do Sport Lisboa e Elvas, do Sport Clube Valenciano e da Selecção Portuguesa de Futebol de 11 Masculino A, foi agente da PIDE, e diz-se que chegou a agredir barbaramente um antigo técnico-principal desportivo dele, salvo erro o carismático Cândido de Oliveira, num interrogatório). :\