É a grande novidade nos planos de treino dos clubes alemães e ameaça tornar-se num fenómeno de popularidade por toda a Europa. Footbonaut é mais do que uma máquina, mais do que um modelo de preparação. É a entrada do treino especializado de forma definitiva na área tecnológica.

A invenção do Borussia Dortmund

Pode parecer ficção cientifica mas tem todas as condições para transformar-se num futuro bem real e mais presente do que se possa imaginar. Longe vão os tempos das horas de treino sem bola, das sessões físicas onde o corpo, mais do que a cabeça, eram o alvo preferencial dos treinadores para preparar a equipa para a longa época ao virar da esquina. O treino mudou muito nas últimas duas décadas.

O trabalho com bola tornou-se uma constante, o aspecto mental e psicológico do jogador é tão valorizado pelos técnicos de elite como a sua condição física e por isso não surpreende que as próximas inovações trabalhem, mais do que nunca, essa área e permitam encontrar novos desafios que façam dos atletas de alta competição indivíduos capazes de reagir com segurança e certeza no menor tempo possível. Uma evolução que ganha nova dimensão com a introdução da robótica no treino.

Por 1 milhão de euros o Borussia de Dortmund fez-se com o serviço do Footbonaut e abriu as portas do futuro. Mas a Bundesliga aprendeu depressa e muitos clubes de topo alemães começam já a copiar o modelo implementado pelos campeões germânicos desde a época passada. Com a Europa já à espreita.

Treinar a visão de jogo

A estrutura do Footbonaut lembra um grande cubo de rubick onde a destreza mental e a rapidez de movimentos são elementos chave.

O jogador coloca-se no eixo central do quadrado. Em cada ponto cardinal está instalada uma máquina preparada para enviar-lhe uma bola com uma velocidade que pode ser alterado consoante o plano de treino, desde passes curtos e lentos até passos largos e rápidos. No centro o jogador tem de receber a bola com um só toque e depois estar atento aos painéis que o rodeiam. Cinzentos, inicialmente, mudam de cor para indicar onde o jogador deve colocar a bola. O verde é o sinal para avançar e o atleta não pode hesitar. A bola assim que chega aos seus pés tem de ser reencaminhada para um dos 64 retângulos em questão para garantir que o exercício é realizado com correção.

Caso o passe falhe o retângulo, o verde transforma-se me vermelho e o exercício segue, com maior intensidade. Naturalmente a cada bola que chega muda o alvo, de forma aleatória, para não dar vantagem ao jogador. São 360 graus de ação e 40 metros de espaço, apesar do jogador apenas se poder mover num pequeno circulo central que representa o seu posicionamento no terreno de jogo.

Os resultados são processados imediatamente numa aplicação informática instalada nos computadores do staff técnico que assim podem apreciar a evolução na eficácia do passe e remate dos seus jogadores, especialmente em situações de pressão e alta tensão.

A nova sensação da Bundesliga

Em Março o Dortmund tornou pública a utilização do Footbonaut pela primeira vez, apesar dos rumores que vinham chegando ao público sobre o uso de um aparelho tecnológico sofisticado desde o arranque da temporada que permitiu ao clube germânico lograr o seu bicampeonato.

Desde então vários clubes têm procurado copiar o modelo, em particular o Bayern Munchen, que tem prevista a sua instalação para os próximos meses. Melhorar não só o apartado físico mas, sobretudo, a visão de jogo e rapidez de raciocínio  tornou-se na nova obsessão dos treinadores modernos e a utilização de aparelhos de robótica como este são mais um passo para o aperfeiçoamento do futebolista dentro do terreno de jogo.

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