O futebol é um mundo onde a identificação colectiva joga um papel fundamental na psique do adepto. Nada representa melhor essa associação como os equipamentos das equipas e seleções. Away Kit, uma coleção memorável, leva-nos a uma viagem no tempo entre a simplicidade e a memória de camisolas que jamais serão esquecidas.

As camisolas da glória

Adepto dos “Les Verts”, mas nascido em Lyon, Sylvain poderia ser mais um de muitos adeptos de futebol gauleses, seduzidos pela magia de um ritual sagrado realizado sobre um manto verde de relva com vida própria. Poderia, mas não é. O seu nome pode ser um de muitos, mas o seu alter-ego artístico é uma das máximas referências no universo gráfico europeu. O trabalho de SLip não precisa de apresentações.

A sua coleção Away Kit também não. Uma viagem aos últimos 35 anos da história do futebol mundial através dos mais icónicos equipamentos utilizados no ritual futebolístico, a coleção do autor francês ultrapassa todas as fronteiras. Dos grandes emblemas gauleses das últimas eras passando pelas camisolas que redesenharam a história recente do futebol europeu, do Nápoles de Diego Armando Maradona ao Arsenal dos “Invencibles”, não falta um só detalhe.

Admirador confesso da corrente construtivista soviética e da pop-art norte-americana, SLip utiliza o jogo de cores e traços para estilizar de uma forma subtil e sedutora, equipamentos que o adepto de futebol comum associa imediatamente com momentos de puro heroísmo  Porque o futebol é onde o normal se converte em excepcional.

A lembrança dos anos 80

A colecção Away Kit inclui vinte posters com camisolas memoráveis.

Cada poster – que pode ser adquirido diretamente na página oficial do autor por 40 euros – inclui não só o desenho estilizado desses míticos equipamentos como também o alinhamento base do onze titular das respectivas equipas e o palmarés conquistado com o manto ao peito.

A obra de SLip recupera equipamentos que definiram eras do futebol moderno. Entre seleções e clubes, as cores e desenhos não enganam. Há uma clara influência estética e emocional da década de oitenta, no fundo a altura em que Sylvain crescia com uma bola nos pés nas ruas de Lyon. A década de Gullit, van Basten, Maradona, Platini, Laudrup, Prosinecki, Giresse, Dalglish ou Keegan, todos eles, de certa forma, representados. Sem rosto, mas com as cores que os transformaram em estrelas da constelação futebol.

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