Nasceu num berço de ouro e tem na cabeça o futuro do AC Milan. Depois de defrontar os paparazzi e o pai, Barbara Berlusconi quer demonstrar que as mulheres podem triunfar num mundo de homens. De uma das italianas mais desejadas a futura presidente dos rossoneri, tem nas mãos perpetuar a herança Berlusconi no futebol italiano.

Destinada a reinar sobre San Siro

Quando cumpriu 19 anos, uma das muitas prendas de aniversário do pai foi um lugar na equipa directiva da Finivest, a empresa que gere a fortuna da família. Oito anos depois foi promovida dentro do clã e juntou a esse posto o de directiva do AC Milan. Para Barbara é apenas o caminho que sabe que tem de percorrer até eventualmente suceder ao seu pai, Silvio Berlusconi, como presidente do maior clube do futebol italiano.

Esteve sempre presente em San Siro, desde a sua adolescência. Inicialmente os homens que rodeavam a corte do pai, pensavam apenas nela como uma atração, uma curiosidade. Era a única filha do segundo matrimónio de Berlusconi e enquanto os irmãos estavam já à época na estrutura famíliar da Finivest, nunca tinham demonstrado muito interesse pelo clube que catapultou o empresário milanês para a primeira página mediática. Mas Barbara sempre entendeu, como o pai, que estar por detrás dos destinos do AC Milan era o primeiro passo para ser reconhecida como uma gestora de sucesso. Enquanto a sua meia-irmã se apoderou da direção do grupo Finivest, quando Berlusconi decidiu finalmente entrar na política e foi eleito – pela primeira vez – primeiro-ministro, Barbara manteve a sua mira sempre na direção do clube que ajudou a reescrever a história do calcio.

Em 2011 recebeu a prenda que lhe faltava. Com 26 anos recém-cumpridos, acabada de sair da Universidade de Vita-Salute San Rafaelle com um mestrado alcançado com máxima nota em Filosofia, Barbara Berlusconi transformava a sua genuína paixão pelo clube no seu primeiro trabalho. Para o pai, era a oportunidade de finalmente conseguir domar uma filha sempre demasiado rebelde para o seu gosto.

A filha rebelde que quer formar o próximo Messi

Barbara Berlusconi nasceu na Suiça, numa das mansões de Berlusconi no país helvético, e teve como padrinho de baptismo o então primeiro-ministro italiano Benito Craxi. Estava destinada a ser criada na elite da sociedade italiana mas a genética do pai pareceu sempre prevalecer sobre o peso do nome. Recusou-se a apoiar politicamente o partido de Berlusconi, Forza Italia, por não estar de acordo com a sua filosofia política e para demonstrar o seu desafio não hesitou em colocar um piercing bem vísivel e uma tatuagem, habitual nas companheiras de diversão do pai mas impensável para uma mulher da alta sociedade italiana.

Durante anos Berlusconi pagou fotografias e videos comprometidos das suas escapadas loucas e as suas relações com os futebolistas do clube propiciaram alguma que outra venda inesperada na reabertura do mercado quando os rumores começaram a chegar à imprensa. Depois chegou o casamento, a maternidade e a sua vida tranquilizou-se, talvez o tempo suficiente para que Berlusconi tenha finalmente pensado em conceder-lhe o pedido de tantos anos. Incorporar-se à directiva do AC Milan, onde nunca esteve nenhum dos seus dois irmãos mais velhos.

Mas Barbara sempre se orgulhou, tal como o pai, de perceber de futebol a ponto de opinar sobre contratações e vendas ao homem de confiança de Berlusconi, o omnipresente Galliani em eventos públicos. A partir de 2011, com a sua chegada oficial ao clube, foi o próprio Galliani – com quem partilha o dia de aniversário – quem recebeu o conselho de Berlusconi de a ter sempre por perto, provavelmente imaginando que o inevitável próximo passo de Barbara é receber como herança a posição maioritária do pai como dona do clube.

A jovem herdeira tem trabalhado desde então num projeto de desenvolvimento de negócio do clube que passa por uma reformulação das estratégias do futuro. Nos últimos meses afirmou publicamente em seguir um modelo similar ao desenvolvido pelo Barcelona para que o clube possa encontrar e formar o seu próprio Lionel Messi, talvez consciente de que as contas do clube já não permitem as ousadas incursões ao mercado de outras eras. Não só cortejou o próprio Josep Guardiola como também declarou publicamente estar interessada em investidores estrangeiros que possam ajudar a reequilibrar as contas do futuro e preparar um modelo de futuro sustentável. Na sua cabeça está traçado o plano d efuturo do clube

A arquitecta do futuro Milan

No fundo o que Barbara tem desenvolvido é um plano para garantir que a sua herança se encontre na próxima década entre a elite do futebol europeu. Desde 2007 que o clube  não alcança uma final de uma competição europeia e desde então a melhor prestação logrado pelos rossoneri tem sido uns Quartos de Final. A nível interno a crise financeira do clube provocou igualmente a perda da hegemonia, primeiro para o seu eterno rival da cidade, o Inter, e mais recentemente para a Juventus.

A jovem rebelde transformou-se numa década numa empresário de sucesso, digna herdeira do sentido de negócio do pai. É critica do Financial Fair Play da UEFA mas uma defensora da melhoria de condições da formação do clube e uma das mais sérias apoiantes da promoção ao plantel principal de jogadores como El Shaarawy. A sua relação com o brasileiro Alexandre Pato, uma das jovens apostas do clube, transformou-a também no centro das atenções no circuito de companheiras de futebolistas mas Barbara Berlusconi soube seguir os conselhos do pai e manter as distâncias com o jogador, enquanto este actuava pelo clube. Longe vão os dias em que o holandês Ruud Gullit a passeava pelo relvado nos dias de celebração dos títulos da equipa de Arrigo Sacchi.

Hoje, com o ar sério e presidencial, Barbara observa tudo desde o camarote presidencial. Sabe que o futuro do clube continua a estar na família Berlusconi, mas desta vez ela já não é apenas uma bonita atração. É o passaporte do AC Milan para um futuro de sucesso.

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