A história do futebol africano de clubes ficou marcada por algumas das equipas mais memoráveis a subir aos relvados. O @FutebolMagazine elegeu, sem nenhuma ordem de importância, as dez formações que marcaram um antes e um depois na evolução do jogo do continente e transformaram o futebol de clubes em África de forma definitiva.

1. Al-Ahly 2004-08

Poucas equipas dominaram de forma tão clara o espectro de clubes de um continente como os egípcios do Al-Ahly entre 2005 e 2008. Três títulos continentais, uma formação que formava o esqueleto da seleção do Egipto, campeã continental, e um treinador português, Manuel José, que encontrou no Cairo espaço para explorar o seu talento como gestor humano. Liderados pelo génio de Aboutrika, os Diabos Vermelhos do Egipto participaram nas quatro finais da CAF, venceram sete ligas de forma consecutiva e recuperaram para a “África Branca” a hegemonia do continente.

2. ASEC Mimosas1998

Uma equipa repleta de jovens promessas desafia todas as probabilidades e consagra-se campeã continental. A ideia por detrás do ASEC Mimosas, do empresário francês Jean Marc-Guillou, estava em criar uma equipa capaz de reunir o melhor talento da Costa do Marfim e prepará-los para jogarem no futebol europeu. Antes de alguns desses nomes terem dado o salto, a equipa rompeu todas as regras do futebol africano e com um onze fisicamente bem preparado e extremamente ofensivo, venceu a Champions League africana em 1998. Foi um êxito pontual mas dessa equipa sairiam, anos depois Kalou, Eboué, Romaric e Touré, grande parte do esqueleto da poderosa seleção marfilenha da década seguinte.

3. TP Engelbert 1968-72

Durante quatro anos, o futebol africano dançou ao som do génio futebolístico de uma geração inesquecível de artistas do Congo. O TP Engelbert (hoje rebaptizado TP Mazembe) foi o símbolo do despertar do futebol no “coração negro” do continente. Em 1967 venceu pela primeira vez o torneio continental de campeões e nos três anos seguintes voltou à final, tendo repetido por uma vez o título. Nunca nenhuma equipa na história do futebol de clubes do continente tinha repetido o título. O talento de Pierre Kalala, provavelmente o maior jogador da história do país, ajudou a criar a lenda que o Tout Poissant não era mais que o Real Madrid africano.

4. Hafia FC1975

Poucas equipas deixaram uma marca tão evidente na história do futebol em África com os guineanos Hafia FC. Num país sem grandes tradições futebolísticas, a Guiné Conakry, os verde-e-brancos representaram uma genuína revolução com um estilo de jogo mais pausado, técnico e extremamente bem organizado. Com o quarteto ofensivo composto por Cherif, Camara, Sylla e Keita venceram doze campeonatos e três Champions Leagues africanas em treze anos até que a idade provocou o fim da idade de ouro de um clube que hoje caiu no esquecimento.

5. Asante Kotoko 1968-73

Antes do Hearts of Oak atingir a sua primeira era dourada, o futebol ganês já reinava sobre o continente africano. Primeiro com os títulos da seleção nacional, os Black Stars, e anos mais tarde com as performances do mítico Asante Kotoko. O clube está considerado como o mais importante do século XX no continente e em muito o deve à irrepetível equipa formada a final dos anos 60 que marcou presença em quatro finais continentais em seis anos, vencendo em 1970 o troféu de forma categórica e perdendo outras três finais.

6. Esperance Tunis1998-01

Quando parecia que o futebol marroquino e egipcio ia dominar o futebol de clubes africano do virar de século, o Esperance Tunis apresentou uma terceira via alternativa que conquistou vários adeptos em todo o continente. O clube foi reestruturado e abraçou de forma definitiva o profissionalismo que lhe permitiu construir uma equipa que em cinco anos venceu todas as provas continentais africanas e múltiplas ligas nacionais ao mesmo tempo que se transformava no esqueleto da seleção nacional que marcou presença em três mundiais consecutivos e venceu em 2004 a CAN.

7. Canon Yaounde 1978-82

Quando os Camarões se estrearem, de forma surpreendente, no Mundial de 1982, conquistaram rapidamente a simpatia do mundo. O que a maioria desconhecia é que a seleção dos Leões Indomáveis estava composta por uma das mais bem sucedidas equipas africanas da época, os Canon Yaoundé. Bicampeões continentais entre 1978 e 1981, vencedores por quatro vezes da liga nacional, liderados pelo carismático Thomas Nkono, na baliza, e pelo médio Theophile Abega no meio-campo, foram a última grande equipa da África Negra antes da “explosão” das potências mediterrânicas.

8. Zamalek 1984-88

Os anos 80 foram o da afirmação definitiva do futebol egipicio. Enquanto o Al-Ahly se consagrava, o jugoslavo Velibor Vasovic, libero no Ajax de Rinus Michels, forjava no Cairo um rival à sua altura. O Zamalek venceu duas Champions League africanas entre 1984 e 1986 e recuperou a hegemonia interna do futebol do país dos Faraós. Liderados pelo ganês Emanuel Kwarshi, tornou-se numa das equipas mais importantes do futebol africano.

9. Hearts of Oak 1977-80

São um dos clubes mais antigos do continente africano e tiveram de esperar várias décadas até saborearem o sucesso. Mas o final dos anos 70 foram, apesar de tudo, a época dourada na história dos ganeses do Hearts of Oak. Apesar de terem sido finalistas vencidos, por duas vezes, da CAF Champions League, os ganeses deixaram marcado o seu estilo de jogo e estiveram por detrás do renascimento futebolístico dos Black Stars.

10. Etoile du Sahelc 2004-10

Quando o sucesso do Esperance Tunis começou a fazer-se sentir, emergiu de forma quase imediata uma nova e inesperada potência continental na Tunisia. Sediado em Sousse, na zona oriental do país, o Etoile du Sahel foi a única equipa que soube ombrear com o todo poderoso Al-Ahly durante grande parte da década passada. A sua história é um relato de superação. Começaram a desafiar o poderio dos clubes continentais em provas secundárias nos anos 90 e em 2004 perderam pela primeira vez a final da CAF Champions apenas para voltar no ano seguinte e voltar a sair derrotados. Em 2007, e à terceira tentativa, sagraram-se finalmente campeões com uma equipa marcada por um notável coro de jogadores dirigidos pelo tunisino Faouzi Benzarti.

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