Against Modern Football, o movimento dos românticos do futebol

Não interessa o idioma apesar do inglês ser, até aqui, uma linguagem comum. Against Modern Football tem-se transformado, graças às redes sociais, num movimento que cada vez tem ganho mais adeptos. Lutar contra o mercantilismo do futebol é apenas uma das suas missões. Para os homens por detrás deste movimento, difundido por vários países, o mais importante é salvar a alma do jogo do povo.

 A Anti-globalização do futebol

Em murais. Em cartazes gigantes exibidos nalguns dos mais emblemáticos estádios do mundo. Em campos de treino, em papeis distribuidos pelas ruas, em foruns de internet, em tatuagens no corpo. Todos os espaços são válidos para difundir uma ideia que na internet tem ganho cada vez mais seguidores nos últimos anos.

Podem chamá-los Against Modern Football. Mas também valem as versões nacionais de Contra el Futbol Moderno, No Al Calcio Moderno, Contre le Football Moderne ou Mot Den Moderna Fotbollen. Não interessa o idioma quando a filosofia é exatamente a mesma. Lutar contra o estado atual do futebol profissional.

Por detrás deste movimento de multiplos rostos encondem-se adeptos anónimos. Não há figuras internacionais que o apoiem financeiramente e só alguns idolos do passado, como o francês Eric Cantona, se disponibilizaram a defender cada um dos pontos defendidos por um grupo de fãs que vive farto de ver as cores dos equipamentos dos clubes mudarem por motivos comerciais, os nomes dos estádios vendidos a multinacionais, os emblemas “modernizados” para serem vendidos mais facilmente ou os jogadores regirem-se apenas por um código ético onde o dinheiro é o protagonista principal. Adeptos que manifestam o seu desencanto de multiplas formas.

O papel das redes sociais

Nas redes sociais está a verdadeira força, o verdadeiro pulsar do movimento. Com o hashtag #AgainstModernFootball podemos encontrar na rede Twitter adeptos dos quatro cantos do Mundo dispostos a partilhar as suas histórias particulares e as suas queixas. No Facebook formam-se grupos que exigem, entre outras medidas, a regularização do mercado de transferências, o fim do papel dos agentes ou a proibição dos clubes de mudar de nome ou de emblema sem o apoio massivo dos seus adeptos. E claro, depois há as fanzines, revistas de pequena tiragem de conteúdo local ou regional que proclamam aos sete ventos o caminho que o futebol deveria seguir, longe da realidade milionária onde hoje dorme tranquilamente.

Casos como as falências de clubes históricos por má gestão, o fim da presença de clubes regionais e distritais das ligas profissionais por falta de investimento e a imensidão de jogadores fora do estrelato que não conseguem receber o salário no final do mês são algumas das suas principais preocupações. Menos dinheiro, mais alma, é a mensagem.

O movimento tem-se associado, de forma algo irregular, ao conjunto de iniciativas anti-globalização que têm igualmente vindo a ganhar mais adeptos por essa Europa fora. Falam a mesma linguagem, pensam no mesmo futuro e olham para o passado com um romantismo que o presente lhes roubou a golpe de transferências bancárias. São os mesmos adeptos que estão por detrás de projetos singulares como a recompra de clubes falidos dirigidos agora pelos fãs, como o FC United of Manchester, ou o AFC Wimbledon. Adeptos que criticam a administração Glazzer em pleno Old Trafford ou que defendem a importância local na estrutura de um clube desportivo.

O futuro dos românticos do passado

Com um crescimento mais rápido do que provavelmente seria de esperar por parte dos seus fundadores, os movimentos ligados à corrente do Against Modern Football são cada vez mais uma voz a ter em conta no panorama social do mundo do futebol. Começam a surgir correntes do movimento dentro de clubes grandes, apesar de minoritárias ainda, mas sobretudo no apoio directo e intenso a clubes de pequena e média dimensão que utilizam formas alternativas de gestão para sobreviver.

Na página oficial do movimento os seguidores podem não só consultar as últimas novidades nos quatro cantos do Mundo como conhecer versões alternativas da vida dos principais clubes e artigos de várias personalidades que questionam o rumo do futebol contemporâneo, desde o Fair Play que a UEFA pretende implementar à política de lugares exclusivamente sentados que nos últimos anos tem sido fortemente criticada nos países do norte da Europa.

Sem dúvida que o movimento Against Modern Football tem encontrado as plataformas adequadas para expor a sua visão alternativa e chegar assim a um maior número de seguidores. O futuro dirá se a sua influência em clubes de pequenas dimensões se consegue transportar para entidades de maior prestigio pelas mãos daqueles mesmos adeptos que sabem que o futebol é um universo onde nunca ninguém caminha só.

4.556 / Por
  • tuse

    Hugo,

    Sou ingles e o meu Portugues nao esta o melhor do mundo…

    Gosto de teu artigo.

    No facto, faco parte dum grupo chamado FPF – Football Paint Firm que ja pintou:

    1. O antigo Estadio Vidal Pinheiro (a unica bancada que ainda existe) com: `Mod€rn Football Wa$ Here´,

    2. O antigo Estadio do Lima com: `Football History Was Here´,

    3. O antigo Campo de Rainha com: ´The Queen’s Pitch´

    4. Estadio de Aveiro com; ´Who Kill€d Football?´

    5. Fratton Park (Portsmouth) com: ´Who KillEd Football´(este mural tem simbolo de Libra, mas este teclado nao tem!)

    Se quiseres posse enviar te umas fotos..?

    Diga alguma coisa

    Abraco

    Tuse (O Ingles!)

    PS Estou ca a montar uma serie chamado ´Who Kill€d Football?´que filmei em Portugal e Inglaterra durante anos. Ja fiz um documentario sobre a cultura de futebol aqui em Portugal ha uns anos: ´Éstadio Novo´

    Blah blah!

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